A Câmara realizou ontem sessão solene em homenagem à médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, que morreu vítima do terremoto no Haiti, em 12 de janeiro. Dra. Zilda, como era conhecida, pretendia implantar naquele país um braço internacional da Pastoral da Criança, entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que ela coordenou nos últimos 27 anos.
“Nossa homenagem não é apenas a uma cidadã brasileira, mas uma cidadã do mundo, uma pessoa ciente de sua responsabilidade para com o próximo”, disse o presidente da Câmara, Michel Temer, em mensagem enviada ao Plenário. Já o vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), pediu que a Câmara formalize a candidatura de Zilda Arns para a próxima edição do prêmio Nobel da Paz.
Para o coordenador da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), a metodologia comunitária criada pela Pastoral da Criança é importante porque alia a multiplicação de conhecimento à solidariedade entre as famílias mais pobres. Ele ressaltou que a frente perdeu uma aliada importante, que sempre emprestava seu prestígio à defesa do setor. Como homenagem, Perondi pediu à Câmara que aprove a regulamentação da Emenda 29, que trata da distribuição de recursos à saúde.
Íris de Araújo (PMDB-GO) lembrou que, em 1983, a pedido da CNBB, Zilda Arns fundou a Pastoral da Criança, que tem promovido decisiva transformação na realidade da saúde pública brasileira. Nestes 27 anos de trabalho, foram atendidos cerca de dois milhões de gestantes e de crianças menores de seis anos, em 4.063 municípios espalhados por todo o Brasil. A rede conta com 260 mil voluntários, 92% dos quais mulheres. “A Dra. Zilda Arns empreendeu uma revolução que para muitos só haveria por milagre: com inteligência, obstinação e firmeza, reduziu substanciosamente a fome, a desnutrição e a mortalidade infantil”, destacou.
Dia da Mulher - O coordenador da Frente Parlamentar pelos Direitos da Infância e da Adolescência, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), disse que Zilda Arns é um exemplo para as mulheres brasileiras e que foi uma feliz coincidência que a homenagem tenha acontecido no Dia Internacional da Mulher. “Ela foi mãe, mulher, avó, médica, profissional e agente político transformador, que podem ser todas as mulheres brasileiras”, disse.
O líder do PSDB, deputado João Almeida (BA), afirmou que a Pastoral da Criança é importante por formalizar um “enorme voluntariado” para o atendimento contínuo das crianças, com uma estratégia multiplicadora. Já o líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), lamentou a perda dessa liderança, símbolo de um Brasil mais generoso e que precisa ser exaltado.
Alceni Guerra (DEM-PR), que foi ministro da Saúde e também é pediatra, lembrou os encontros que teve com a Dra. Zilda desde a atuação conjunta como médicos em Curitiba (PR) até o ministério, quando ela foi parceira importante. Para ele, Dra. Zilda sempre demonstrou interesse pelo lado terapêutico, mas principalmente pelo lado social, de integrar as famílias à saúde, para prevenir e salvar vidas.
Zilda Arns, disse o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), foi exemplo para todos os defensores das ações sociais. Ele lembrou sua atuação na recente criação da Pastoral da Pessoa Idosa, em 2004, e cobrou do governo uma política pública mais consistente para essa faixa etária. Pastor Pedro Ribeiro (PR-CE) destacou a importância da ação da Pastoral na mudança de mentalidade sobre o apoio à infância, que resultou na melhoria da situação das comunidades mais pobres. “O Brasil melhorou nos últimos 25 anos, em matéria de saúde, e muito se deve à Pastoral da Criança”, avaliou.
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) ressaltou as palavras do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, que, ao saber do acontecido, disse que a irmã morreu da forma mais bonita: fazendo aquilo que acreditava. Hauly lembrou o início da Pastoral, que começou no Paraná em 1983, quando ele era prefeito do segundo município a implantá-la, Cambé (PR). Também prestaram homenagens os deputados Alfredo Kaefer (PSDB-PR) e Mauro Benevides (PMDB-CE).